O julgamento do diabo.

Sim, ele existe. Por mais que a civilização branca-européia-capitalista-individualista-burguesa-católica-judaica-e-machista diga que ele é apenas uma entidade imaterial, mas não podemos ver, ele apareceu. Ao contrário das descrições que estamos cansados de ver, ele é bonito. Sim, o diabo é bonito. De beleza tão condizente, de olhar tão sedutor, de sensualidade acima da média, de categoria jamais vista. Convence machões e lésbicas de sua libido mortal. Ele, a que demos o nome de Lúcifer, apareceu. E foi julgado, como Jesus Cristo seria julgado caso desse as caras aqui na sociedade branca-européia-capitalista-individualista-burguesa-católica-judaica-e-machista. Seu julgamento não foi no Vaticano, sim no tribunal de HAIA. O tribunal mais isento de todo o globo, onde os piores prisioneiros são julgados, pelo rigor do direito internacional.

Católicos, evangélicos, budistas, corinthianos, animistas, ateus, luteranos e filósofos se acotovelavam para ter certeza de que aquele cara bonito era Lúcifer. A superficialidade da discussão corria a solta:

– Tenho certeza que ele tem chifres. Este dai é impostor. Disse um católico, olhando cegamente para seu cetro de poder, a bíblia.

– Mas não pode ser, por que ele não existe, é uma categoria inventada pelo homem para dominar outros homens – Um filósofo.

– O diabo está em todos nós, precisamos evitar o pecado na terra tirando ele de nós – um crente ciente de tal afirmação ser a mais correta para sua vida.

A balbúrdia era tanta que o juiz, um velhinho de 75 anos, que pensara ter visto tudo em sua vida, teve o desafio, o prazer e o fardo de julgar o diabo. Com sua mão frágil, pega no martelo da justiça e conclama todos a fazerem silêncio. Era seu julgamento mais importante, e o último. Seria uma longa batalha…

A sessão inicia, e levanta-se um homem robusto e sério, tão sério que era impenetrável em seu olhar que poderia despir uma mulher numa piscadela, como também mata-la numa outra piscadela. Não tarda em fazer a pergunta fatídica:

– Como saberei que você é o diabo, o coisa ruim, o pai da mentira, o senhor da desgraça, o homem que odeia a criação?

O diabo responde com sua eterna sinceridade:

– Sou o que sou, por que vocês deram o poder para mim.

A frase soa forte. Quase sem reação, o promotor retruca:

– Como acreditar em você se você é especialista em pregar peças?

– Como acreditar em um homem que ganha a vida julgando os outros sem conhecê-los, caro promotor? Seu julgamento é inferior ao meu.

A provocação faz com que o promotor perca sua estribeira habitual:

– Estás tentando me dissuadir?

– Creio que não, senhor promotor. Minha fama só é por que você criou isso, como também todos aqui. Colocam em mim uma culpa desonrosa, não assumem que vocês tem o diabo com vocês.

– Como falas assim, com desdem? Sou um homem público, comprometido com um mundo sem bandidos, como você.

– Acusas-me de bandido? Bandido sois vós, que matam de trabalho crianças, jovens e adultos para vocês se adornarem de jóias e futilidades. Sou o que sou, justo.

– Mas você persuade as pessoas a cometer crimes horrendos!

– Não! Eu não faço isso. Tenho um inferno a gerenciar, castigos a aplicar, e julgar, com provas de verdade, quem merece viver eternamente em danação ou no triunfo do paraíso. Eu não concordo e nem gosto de Deus, mas eu preciso dele.

– MENTIROSO! Você quer o paraíso pra você!

– Momento algum eu queria o paraíso. Fui expulso por falar a verdade. A verdade é que Deus é um autoritário, impôe a todos o seu desejo, transforma os homens em ratos. Eu questiono e sempre questionarei essa postura autoritária de Deus. Ele me expulsou por falar a verdade.

– Então o pai da mentira diz falar a verdade? Somos nós, os filhos de Deus, que ouvimos isso. Queremos condená-lo pelos seus crimes, que são tantos!

– Meus crimes são poucos. Os crimes dos seres humanos são grotescos e horrendos. Eu não matei crianças inocentes jogando-as pela janela. Eu não desfiz casamentos, e nem gerei filhos odiados por seus pais. Sou acusado pelos crimes dos frageis humanos que não aceitam a sua condição.

– Deixa eu ver se entendi. Você quer dizer que não influencia as pessoas a cometer crimes? Elas fazem por sua livre consciência?

– Sim.

Naquele momento, levanta-se um evangélico, de porte de uma bíblia e de um crucifíxo. No desespero de livrar a sua visão de tamanho desespero, grita:

– DEMÔNIO, SATANÁS, FILHO DE UMA CHOCADEIRA, você está mentindo. Sabemos que você incentiva os crimes, as drogas, a violência, o desespero. Sinta a fúria de DEUS!

Lúcifer, provando que é mais forte do que se pensava, não abaixou a guarda, e respondeu ao evangélico, sem perder a estribeira:

– Senhor Francisco Gomes, pastor da Igreja Fundamento de Deus, criador de uma seita que se prega como salvadora do homem contra o apocalipse, você é um charlatão, ao pregar a palavra de Deus e usurpar de seus fiéis o suado dinheirinho deles. Você não tem moral pra me assustar. Suas palavras são vazias de sentido e de fé. Você vive a ilusão de messias, entorpecida pela sua própria podridão. És um exemplo fiel de pessoas que tenho o prazer de condenar a danação eterna.

– MENTIROSO, ESTÁS ME DISSUADINDO! Você sabe que a minha palavra tem força e eu sou um instrumento de Deus. Sou um pastor, li a Bíblia.

– Ler a Bíblia não é garantia de santidade. Mussolini leu a Bíblia e exterminou milhões de pessoas. Ler a Bíblia é a última coisa que garante santidade. É um livro que eu leio e releio. E nem por isso sou santo. Eu sou justo.

– Mais uma das suas mentiras infames.

Neste momento, o Juiz, para retomar o julgamento, pede para Francisco ficar em silêncio.

O promotor, depois do espetáculo a que assistiu, torna a perguntar:

– Lúcifer. Você conhecia Francisco?

– Sim, como conheço todos aqui. Sei o nome e a história de cada um deles.

– Preciso de uma prova. Quero que fale sobre a vida de uma pessoa que eu apontar agora. Pode ser?

– Sim.

O promotor, apontando para um senhor de idade que estava na platéia, indica-o.

Lúcifer, bebendo água novamente, pede mais um pouco, e retoma a fala:

– O nome dele é Manoel Sarmiento. É espanhol, adepto do catolicismo, leu a Bíblia duas vezes, trabalhou no exército de Franco, perseguindo anarquistas na Guerra Civil Espanhola. Matou 10 pessoas, sendo uma delas uma jovem e delicada menina de 8 anos, com um tiro na cabeça, sem defesa. Depois da Guerra, casou-se com Suelita, que está ao seu lado. Teve com ela três filhos, e com a vizinha mais um, que foi assumido pelo marido dela. Ele largou o exército a 15 anos, e passa parte do seu tempo pensando nas mortes dos anarquistas e da jovem Rafaella, aquela menina doce, que vira seu pai sendo assassinada por ele. Todos os dias ele reza pensando nos seus pecados. Ele era um soldado, servia cegamente um homem que matou os sonhos da república anarquista espanhola. A pose de homem honesto e sério, mas carinhoso com seus netos é tão falso quanto o amor que sente por Suelita. Infelizmente, um candidato a povoar o inferno.

O promotor, querendo saber a verdade, chama-o. Faz Manoel jurar pela constituição que falará a verdade, e não esconderá nada. – Você se chama Manoel? É verdade que ele está dizendo?

– Eu passei a minha vida escondendo o segredo mais cruel, do crime mais horrendo que cometi. Sim, ele acertou. Sou um assassino cruel. Passei a minha vida inteira com esse crime. Quero me redimir.

O promotor assume uma postura defensiva. Pela primeira vez em sua vida ele sentiu medo. Sentiu que seus segredos mais íntimos poderiam ser revelados. Que sua vida, mantida a base da discrição, poderia vazar a qualquer segundo. Respira fundo e prepara uma nova pergunta:

– A Bíblia diz que você tem inúmeros poderes. Por que não utilizou até agora?

– Eu utilizo apenas quando o necessário. Tenho um contrato com Deus, de evitar de usar o poder. Eu respeito contratos.

– Essa história de assinar contratos com você é verdade?

– Isso é história para boi dormir. Eu não assino contrato com ninguém. Isso é resultado da tradição judaica, de passar a perna nas pessoas. Sou profundamente reservado aos meus afazeres, que são enormes. E se eu fizesse isso, não vejo como crime, pois só seria crime se eu não honrasse-o.

– Mas um contrato que diz que é pra matar pessoas é pra ser respeitado, não?

– Senhor digníssimo promotor, lhes digo uma coisa: eu nunca matei ninguém. Não interfiro na harmonia deste planeta.

Francisco mais uma vez não se contém, e torna a repetir palavras fortes:

– Mentiroso! Vocês não vêem que ele está fazendo a cabeça de vocês?

– Francisco, com que moral você me acusa de ser mentiroso? Se esqueceu da Suelen? Daquela doce e jovem criança, de beleza acima do normal, que te fez um boquete?

– Cobra venenosa, mentiroso compulsivo, mandrião!

– E dos jovens gêmeos, que você, dizendo que eram contaminados por mim, explorou-os sexualmente?

– Demônio! Vocês estão vendo que ele está me atacando.

– Desculpe, mas estou falando a verdade. Assinei um contrato aqui, com esse julgamento, que falaria a verdade.

Mais uma vez, o juiz intervem, e pede para retirar Francisco do julgamento.

O promotor agora não esconde que está assustado, em pânico, sem saída. Sua pele fica pálida, por que ele sabe que aquilo soou como verdade. Nunca ficou tão convencido que as palavras de Lúcifer pareciam ser tão verdadeiras. Retorna a perguntar, agora pela última vez:

– Então por que você queria ser julgado?

– Simples. Quero dar uma lição na humanidade. Quero justiça, quero apenas pagar pelo crime de questionar o ditador lá de cima, daquele homem que quer o mundo segundo o seu desejo, que tira o mundo de sua verdadeira liberdade. Eu sou o defensor da humanidade. Vocês tratam como demônios os homens mais justos que vocês conheceram, como Marx, Rousseau, Lênin, Gandhi, Guevara e Fidel Castro. Eu quero justiça, não desejo ser inocentado, mas culpado por aquilo que cometi. Não é arrependimento, é justiça.

O promotor, após realizar tal pergunta, passa a palavra ao juiz. Como o julgamento não era normal, era uma ocasião extraordinária, o juiz pergunta se alguém da plateia deseja fazer alguma pergunta ou comentar o caso. Era uma excessão aquele julgamento.

Um filósofo, de nome Robert, levanta a mão. Com autorização, tece à Lúcifer a seguinte pergunta:

– Eu vejo que seu raciocínio vai por dois extremos: um é que você aceitou ser julgado pelos seus crimes, mas por outro mostra que seus crimes são menores que os crimes que te acusam. E neste interim, você demonstrou que, pra te julgarem, a pessoa precisa ter um quociênte ético elevado. Quer dizer, em poucas palavras, só a justiça pode ser justa, mas você prova que é injusta. Explique pra mim por que você quer esse julgamento. Está parecendo que você quer esse julgamento.

Lúcifer toma a palavra, confiante:

– Robert, você é a primeira pessoa que eu tenho o prazer de olhar nos olhos e ver que seu passado é puro, é mais puro do que o dos cristãos aqui presentes. Você é ateu desde a sua infância, quando perdeu a sua mãe num acidente de carro. Você nunca concordou com a história de dizer que foi Deus quem quiz levar a sua mãe pro céu. Essas mentiras que contam as crianças fazem que elas sintam na pele, por muito tempo, mais medo do cara lá de cima. Voltando a sua pergunta, que por sinal é a primeira pergunta condizente neste julgamento, eu quero provar-lhe que sou justo. Não estou neste julgamento pra ser julgado moralmente, mas sim tecnicamente. No quesito moral, a primeira pessoa que poderia me julgar era você, mas não o fez. Não o fez por que? Por que é filósofo. Os filósofos eram perseguidos por falarem a verdade, por serem justos com o conhecimento. Você irá ao céu, tenho certeza disso. Mesmo você não acreditando nisto, mas seu legado não será esquecido. E isso é o céu, e não um paraíso fútil de mentiras que contam para as crianças. Eu tenho agora, neste exato momento, 7563 anos. Estou velho, mesmo a minha aparência ser relativamente jovem. Não me divirto mais com a minha obra. Quer saber o que realmente cometi? São três crimes. 1) questionar o valor de Deus para os homens; 2) Criar entre os homens o verdadeiro sentido de liberdade, livrando-se de Deus. 3) Resistir contra a ditadura de Deus. Esses crimes são maiores do que incentivar a mentira e espalhar a destruição. Estes dai são crias do seres humanos.

– Posso fazer mais uma pergunta, senhor juiz?

– Sim

– Então, como era Jesus Cristo?

– Um homem a ser respeitado. Era um profeta. E vocês sabem o que é um profeta? É um defensor dogmático de uma idéia. Ele odiava ser contrariado. Liderou um movimento contra a exploração de Roma contra o povo judeu. Tem o meu respeito e a minha admiração, mas acreditava na coisa errada. Era o mesmo que Joana D’arc. Fazia o certo, mas pensava o errado. Voltando a Jesus, eu não fiz nada. Os homens mataram Jesus cruelmente, por que ele iria fazer a primeira grande revolução da história. Ele fez depois de morto. O problema não é Jesus. É os homens. Os líderes fazem o certo, os seguidores deturpam tudo. Eu falei pra ele ir contra a ditadura do pai dele, mas ele não acreditou em mim. Era o seu único problema, o dogmatismo.

– Surpreende-me que seja essa as palavras. Fazem sentido na sua cabeça, Lúcifer. Jesus caiu em tentação?

– O que você chama de tentação eu chamo de esclarecimento. Meu poder de argumentação é fenomenal. Até Cristo caiu nesta minha redoma. Mas seu dogmatismo era forte. Mais forte que o meu.

O Juiz acata uma próxima pergunta, vinda de uma mulher de meia idade.

– Então os católicos fizeram uma campanha contra você, Lúcifer? Não tinham argumentos para te combater, utilizaram de subterfúgios?

– Sim. A mentira não é uma invenção minha, infelizmente. Fazem mil e setecentos anos que eu não minto. Não preciso mais mentir.

– Você mentiu pra Cristo?

– Não.

– Outra pergunta: o inferno é um lugar de tortura, humilhação?

– Sim. É a vingança dos justos.

– Mas você não recruta ninguém para a sua causa?

– Não adianta acabar com o poder do cara ali de cima. Quem tem poder de fato de acabar com o poder dele são vocês. Não quero me tornar um Deus. Quero que vocês sejam livres de fato.

O juiz escolhe um jornalista:

– O que você acha dos movimentos satanistas que temos no mundo?

– Esses são piores do que os católicos, por serem dogmáticos. Não se acaba com a ditadura de Deus sendo tão fervorosos como os católicos. O ateismo é mais forte que o satanismo. Deus escravizou a humanidade, elevou milionários ao reino dos céus, padres corruptos como porta-vozes da boa-nova e papas assassinos como exemplo de moralidade. Os satanistas querem que eu venha na terra e espalhe as doenças que os homens mesmo fazem. Querem justificar que eu sou responsável pela a tragédia humana. Mas desculpem, não aceito tal crime. Quem me cultua é criminoso. Não fui eu quem incentivou eles a cometerem tal crime. Vou além: eu digo que comparar satanistas a anarquistas: querem o fim de Deus, mas o fazem sem processo nenhum, sem conhecimento algum.

– Você incentivou a renascença, o liberalismo e o idealismo burguês?

– Sim. Se eu fosse questionar Javeh em seu ponto de vista defendido pelos cristãos, você entra em contradição, sua defesa torna-se frágil e seu argumento desmancha-se no ar. Pra questionar Deus, de fato, temos que ir pelo caminho da razão – provar que ele é incapaz de dar respostas aos problemas da realidade. Isso seria aceitar a minha derrota, mas também forçaria Deus a acatar tal posição reacionaria, pra ele. Se a humanidade assumir que Deus é um delírio, seu poder acaba, e toda a ditadura que ele defende morre.

– Mas Deus então criou o mundo a sua face e semelhança? Quer dizer, se ele é um ditador, todos são ditadores?

– Não é bem assim. Reconheço que a figura de Deus foi mal utilizada, mas por outro lado, Deus aproveitou dessa situação pra entrar na cabeça das pessoas. Alguns milagres, que realmente ocorreram, foram apenas para aumentar o dogmatismo das pessoas a sua figura. Sou contrário a intervenção na realidade, mas ele não respeita…

– Existe milagres então?

– Infelizmente sim. Mas digo, quando a figura dele mais se enfraquece, mais ele fica furioso e torna a atormentar a vida dos mortais para faze-los acreditar em suas palavras tão acidas e fortes. Por isso incentivei o racionalismo.

O Juiz, querendo voltar o julgamento para a normalidade, libera a argumentação de Lúcifer, que torna a defender seus pontos de vista.

– Serei o máximo da minha sinceridade, falarei tortuosamente e serei digno de vosso respeito. Sou o que sou, por ser aquilo que temeis. Tereis razão em temer. Sou tempestuoso, vil, sincero, cruel, mas sou justo ao defender meu ponto de vista, e em não ser deturpado. Não mato crianças inocentes, nem jovens donzelas. Não sou ladrão, não preciso disso pra continuar existindo. Não me alimento de pesadelos e nem tenho crescido tanto assim, mesmo com o pecado assombrando vossa casa. Sou o que sou apenas por dois pecados – questionar a Deus pelos seus crimes e incentivar o homem a combatê-lo. Alguns homens entenderam tão honrada missão em questioná-lo, outros cometem crimes vís. Eu confesso que alguns ficaram livres demais, não entenderam os meus ensinamentos. A esses, digo-lhes que seus aposentos no inferno estarão garantidos. Aos outros que fazem o caminho da justiça e da negação de autoridades, garanto-lhe a memória e a doce lembrança entre seus iguais. Não quero combater o todo poderoso, por saber que ele é forte o suficiente para acabar comigo. Mas quero que o homem assuma para si a tarefa de questioná-lo. Para realmente questioná-lo, teremos que fazer duas coisas – o homem se humanizar e o homem se realizar.

Neste instante, temos o silêncio. Pela primeira vez, os preconceitos e as visões distorcidas de que tinhamos do Diabo caem por terra. Contando aos simples mortais, ninguem acreditaria. O Diabo defende a humanidade, por acreditar que Deus tinha que ser negado.
O Juiz, tão confuso quanto todos os seres viventes daquele recinto, decide dar uma pausa no julgamento. O barulho quase ensurdecedor de comentários de todos os lados levava a crer que o julgamento estava próximo do fim. Meia hora depois, o Juiz entra e dá seu veredito:

– Senhor Lúcifer, pai da mentira, senhor filisteu da imoralidade, odioso pai do pecado. Nós, juri desse julgamento, consideramo-te culpado pelos crimes contra a religião, contra a moral e contra a família. Mas inocentamos dos crimes que lhe atribuiram, como assassinatos, mortes, pecados cometidos pelos verdadeiros pecadores, os homens. Você é inocente do pecado dos outros. Sabemos que você não incentivou nenhum pecado, isso é fruto da criação de todos os seres viventes. Conferimos a sua culpabilidade a instauração do questionamento de dogmas defendidos pelo Cristianismo. Porém, nosso juri não é um juri católico, evangélico ou luterano. Somos um juri técnico. E você será inocentado, terás seu direito ao ateísmo.

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~ por professormateus em julho 4, 2008.

3 Respostas to “O julgamento do diabo.”

  1. Muito bom!! Mandei um e-mail com o texto em word, com os comentários pontuais… Adorei esse texto… Beijos

  2. Antes tava bem animal, agora nesse ‘meio e fim’ parece que perdeu um pouco o fio da meada… Depois vou reler com calma e ver melhor. É bem possível que o problema esteja na leitora, e não no autor… Tenho alguns comentários de escrita (falta de acento em “desdém”, palavras repetidas, essas coisas), mas depois faço com mais tempo.

    Beijos!

    Te amo

  3. mas no final de tudo, lucifer e o inferno serão jogados no lago de fogo. Deus.

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