Dialetizando “Adeus Lenin”

Sabe aquele filme que as pessoas não vão parar numa locadora para assistir – ele ficaria escondido, não teria cartaz nem faria pessoas largarem suas casas para irem numa locadora. Eis Adeus Lênin – um filme excelente, para um público refinado. Se esperas violência, vá ver qualquer filme de Chuck Norris ou de Van Damme. Mas se queres um enredo inteligente, que não humilha o telespectador, veja Adeus Lênin.

A história se passa na Alemanha Oriental, socialista, em plena decadência econômica, política e social. As ruinas do ineficaz modelo soviético exportados para a Alemanha Oriental produziu uma sociedade ineficaz no plano econômico, e socialmente excludente, no campo social. Quem fazia parte do partido, tinha algumas regalias, mas quem não era parte integrante da sociedade alemã oriental, era tratado como possível inimigo. Tendo toda essa configuração contrária à liberdade, a defesa do sistema capitalista viria a tona nos idos de 1991. O Personagem principal da trama, Alex, um jovem que se rebela contra a “ditadura” da Alemanha, vai a uma manifestação que é violentamente reprimida pela polícia, e, dentro dessa confusão, a sua mãe, a frágil Cristine, sofre uma parada cardíaca, ficando oito meses de coma. Como era um momento de intensa efevercência cultural e política na Alemanha, Cristine acorda depois da reunificação, o que seria trágico na cabeça do filho Alex, que via na mãe a incapacidade de suportar os ventos de tais mudanças – que poderiam, no caso de um choque bem grande, ocasionar a morte dela.

Para evitar que a mãe venha a adoecer, Alex recria, no seu apartamento, uma “nova” Alemanha Oriental, para evitar tal choque em sua mãe. O que começou numa mentirinha, torna-se uma recriação muito bem elaborada de um novo país num determinado território.

Para um leigo, parece que este filme defende as maravilhas do capitalismo. Eis ai a grande sacada do diretor Wolfgang Kremer – expor as contradições para que a síntese seja melhor elaborada. Ele coloca, com alguma sutileza, a inundação de produtos “capitalistas” nos supermercados alemães, bem como a expansão da propaganda a todo e qualquer espaço, como também a exposição da mulher como sendo um sexo frágil e fútil (vendo, por exemplo, um comercial de uma mulher nua que se “deliciava” com chantily da marca tal). Percebeu-se também uma capacidade cruel do sistema de reprodução do capital – todos podem ser considerados inúteis. Os professores da escola, onde Cristine trabalha, tiveram que se aposentar, e foram jogados ao alcoolismo e a depressão, como também o tratamento de segunda linha que recebiam os alemães orientais. Outra questão muito tocante foi a irmã de Alex, que largou os estudos e virou “atendende de lanchonete”.

O filme é corajoso por não se ater a uma defesa dogmática do sistema capitalista, e muito menos do socialismo. Ele mostra, com honestidade rara no Cinema, que o homem precisa evoluir muito para criar uma sociedade que realize as suas necessidades e humanize o homem.

Recomendação: 5 estrelas!

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~ por professormateus em junho 18, 2008.

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